DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: UM ATO DE AMOR QUE SALVA VIDAS
A doação de órgãos é um gesto capaz de transformar completamente a vida de quem mais precisa. No Brasil, milhares de pessoas aguardam por um transplante para continuar vivendo e cada doador pode ajudar até oito pacientes com órgãos e tecidos e melhorar a qualidade de vida de dezenas delas.
Apesar da importância, muitas famílias ainda têm dúvidas ou receios sobre o tema. Por isso, falar sobre doação é essencial. Quando uma pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora, ela facilita a decisão da família em um momento difícil e ajuda a espalhar a solidariedade. A doação de órgãos não é somente um procedimento médico, é um ato de empatia e esperança. Com um simples “SIM” é possível oferecer a outros a chance de recomeçar, de sorrir novamente e de viver novas histórias. Converse com sua família sobre o assunto e informe-se. Ser doador é uma forma de deixar um legado de amor e humanidade. Afinal, doar é multiplicar a vida.

VIDAS À ESPERA DE UM MILAGRE
No primeiro semestre de 2025, dados oficiais revelaram que 1863 pessoas morreram à espera de um transplante de órgãos no Brasil. Este dado refere-se ao período de janeiro a junho de 2025, conforme publicado no portal UNICAMP, da Universidade de Campinas. De acordo com o site www.folha.uol.com.br, cerca de 3 mil pessoas morrem por ano. As salas brancas dos hospitais, com seus corredores longos e frios, são testemunhas silenciosas de histórias que não chegam ao desfecho esperado. Em cada leito, há uma vida suspensa entre a esperança e a urgência; em cada olhar, há a súplica contida de quem sabe que o tempo não perdoa. Ali, as horas não passam: elas se arrastam, como se o relógio tivesse consciência do peso da espera. Muitos desses homens e mulheres não são números, tampouco estatísticas, são mundos inteiros que carregam memórias, sonhos e projetos interrompidos. O adolescente que imaginava tornar-se engenheiro, a professora que ensinava crianças a ler, o pai que prometeu estar presente no aniversário do filho. Todos eles partilham o mesmo fio de incerteza: o transplante que não chega, o telefone que não toca, o órgão que não é compatível. Enquanto a sociedade discute, em abstrato, as políticas de doação, vidas concretas se esvaem no intervalo entre um batimento e outro. O sistema, embora avançado em tecnologia, ainda carrega as marcas da desigualdade: a geografia, a condição econômica e a falta de informação sobre doação são barreiras invisíveis que selam destinos. Assim, a morte não vem como uma surpresa abrupta, mas como um visitante anunciado, que se senta ao lado da cama e observa em silêncio. A cada despedida, não se perde apenas um paciente. Perde-se uma biblioteca de experiências, uma constelação de afetos, um universo de possibilidades que jamais será reconstruído. A sociedade, muitas vezes, não percebe que cada vida interrompida pela ausência de um órgão é também um futuro coletivo desfeito. Esse capítulo da realidade é escrito todos os dias sem alarde, nos bastidores da saúde pública e privada. Não há manchetes, não há aplausos. Apenas um rastro de ausências, de cadeiras vazias no jantar, de mensagens não enviadas, de promessas não cumpridas. Mais do que uma questão médica, trata-se de um dilema ético e humano: até quando aceitaremos que a falta de informação, de mobilização e de políticas eficientes condenem tantos à invisibilidade? As vidas perdidas por falta de um transplante não são estatísticas inevitáveis; são sintomas de uma sociedade que ainda precisa aprender a enxergar o outro como extensão de si mesma. E assim, no silêncio das salas de espera, histórias inteiras se encerram antes do tempo, deixando atrás de si não apenas luto, mas a urgente convocação para que esse ciclo seja rompido.
“Doar órgãos é transformar a despedida de uma vida em uma chance de recomeço para outra”.